domingo, 5 de setembro de 2010

Paralisação dos professores estaduais chega ao terceiro dia sem negociação

Paralisação dos professores estaduais chega ao terceiro dia sem negociação


POR GABRIELA SARAIVA

No terceiro dia de paralisação, professores da rede estadual de ensino realizaram mais uma manifestação pela defesa do Estatuto do Educador, em processo de negociação com o governo do estado desde o ano passado. Desta vez, a categoria se reuniu por volta das 8h30 de ontem, em frente à Biblioteca Pública Benedito Leite, na Praça Deodoro, e de lá seguiu em passeata até o Palácio dos Leões, onde permaneceram acampados por algumas horas em protesto. Sob os apitos e palavras de ordem, a categoria se manifestou, em frente à sede do Executivo, pedindo que fosse recebida e ouvida pela governadora Roseana Sarney.

A paralisação teve início na última quarta-feira, 2, quando os professores e funcionários das escolas públicas estaduais decidiram, em assembleia promovida pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Maranhão (Sinproesemma), pela suspensão das atividades por um período de 144 horas. Segundo o presidente do Sinproesemma, Júlio Pinheiro, a ideia é permanecer com o tempo previsto de paralisação, mesmo com o ponto facultativo decretado para segunda-feira, 6.

Ele explicou que, até o momento, o governo do estado não se manifestou para nenhuma negociação. “Vamos nos reunir para elaborar uma agenda a fim de dar continuidade até segunda-feira ao movimento de paralisação. Após esse período, a categoria vai iniciar uma campanha contra o governo do estado e prosseguir com as manifestações. No dia 16 de setembro, já está agendada uma paralisação nacional em defesa do piso salarial e carreira da categoria”, explicou o presidente do Sinproesemma.

De acordo com a diretoria do sindicato, cerca de 80 escolas da capital maranhense já aderiram ao movimento e somente a regional de Chapadinha não paralisou suas atividades. Já a Regional de São João dos Patos, a adesão foi parcial. Nas demais regionais, a adesão foi total.

Diferente do ato público realizado pela categoria na última quarta-feira, 2, nenhum representante do Movimento de Resistência dos Professores (M.R.P.) se apresentou em oposição ao sindicato. Para Júlio Pinheiro, mesmo diante de um processo eleitoral, esse debate não pode ser deixado de lado e precisa ser concluído. “Alguns professores e funcionários querem politizar o movimento. O que tenho a dizer sobre isso é que esse grupo sempre buscou a desunião dos trabalhadores ao longo da história”, declarou Júlio Pinheiro.

Os grevistas não foram recebidos por nenhum representante do governo do estado, entretanto a manifestação realizada ao longo da manhã de ontem foi pacífica, sem nenhum indício de violência e conflitos. A Polícia Militar acompanhou a movimentação, mas em nenhum momento interferiu.

Antecedentes da paralisação – Segundo Júlio Pinheiro, há cerca de um ano e seis meses, a categoria vem trabalhando para a construção de um novo estatuto educacional, uma vez que o atual está em vigência há 18 anos e, ao longo destes, nunca foi cumprido de forma efetiva e hoje se encontra extremamente defasado. Nos últimos seis meses, uma comissão esteve reunida em negociação com o governo do estado para a formulação do novo documento, entretanto os esforços teriam sido em vão uma vez que, no último dia 12 de agosto, o governo teria zerado as negociações apresentando uma nova proposta que não condiz com as reivindicações feitas pela classe. “O governo simplesmente zerou o debate, retirando da proposta os pontos discutidos nas reuniões ao longo dos últimos seis meses. Na nova proposta apresentada por ele, a composição salarial é simplesmente suprimida”, afirmou Pinheiro.

Outro lado – A reportagem do Jornal Pequeno manteve contato com a assessoria de comunicação para obter esclarecimentos sobre as reclamações dos professores, mas foi informada que seria elaborada uma matéria sobre o assunto. Porém, até o fechamento desta edição o texto não havia sido enviado.

Fonte: Jornal Pequeno

Nenhum comentário: