sexta-feira, 17 de julho de 2009

Filho de Sarney é indiciado por formação de quadrilha


Filho do presidente do Senado, o empresário Fernando Sarney, investigado pela Polícia Federal desde 2006, é acusado de falsificar documentos para favorecer empresas em contratos com estatais
REDAÇÃO ÉPOCA

A situação da família do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), continua se complicando a cada dia. Além das inúmeras denúncias contra ele – que incluem o desvio de R$ 500 mil da Petrobras por meio da Fundação Sarney – agora, quem está sob os holofotes é o filho do senador, Fernando Sarney, indiciado pela Polícia Federal por formação de quadrilha, gestão de instituição financeira irregular, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica, segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada nesta quinta-feira (16). Fernando é acusado, entre outros crimes, de falsificar documentos para favorecer empresas em contratos com estatais.

A investigação contra Fernando começou em 2006, na Operação Boi Barrica da PF, instaurada para investigar irregularidades na campanha de sua irmã – Roseana Sarney (PMDB) – ao governo do Maranhão. A suspeita teria sido iniciada quando o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou, poucos dias antes do segundo turno das eleições, que Fernando Sarney fez dois saques de R$ 1 milhão de sua conta pessoal. Roseana acabou derrotada por Jackson Lago (PDT) nas eleições, mas assumiu o cargo depois que o rival teve o mandato cassado pela Justiça Eleitoral.
Na sequência da Boi Barrica, a PF descobriu supostos casos de tráfico de influência e fraude em licitações de estatais como Eletrobrás, Eletronorte, Valec – responsável pela construção da Ferrovia Norte-Sul – e a Caixa, e Fernando foi apontado como “mentor intelectual” do grupo. De acordo com reportagem do Estadão, a mulher e a filha de Fernando, Teresa Murad e Ana Clara, seriam sócias de algumas empresas suspeitas e estão entre as investigadas.

Em outubro de 2008, reportagem de ÉPOCA detalhou a investigação contra Fernando Sarney e o "grupo da Poli de 78", uma referência à turma formada em 1978 no curso de Engenharia Civil da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). Para a PF, o grupo liderado por Fernando Sarney formou uma “organização criminosa” instalada no interior da administração federal. De acordo com a investigação, o grupo manipularia licitações públicas, desviaria dinheiro de obras e manteria negócios à sombra do Estado.

O inquérito contra Fernando será encaminhado ao Ministério Público Federal no Maranhão, que deve decidir nas próximas semanas se abre ou não processo contra ele.

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